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São Paulo, 08 de Setembro de 2010
 
  A morte para o homem  
 


     Gostaria de compartilhar uma parte delicada de um estudo: a morte.
     A finitude da vida humana é algo que assusta. Há uma luta constante contra esse fim. Já nascemos lutando, pois ao nascer o indivíduo já está condenado a morrer. Só não se sabe quando isso irá acontecer e essa ansiedade perante a morte nos persegue durante toda a vida.
     Freud dizia que um dos fatores do sentimento de alheamento deste mundo é a atitude que o ser humano adota em relação à morte. Para o pai da psicanálise deixamos a morte de lado, isto é, a eliminamos da vida. Isso é extremamente fantasioso, pois corrobora com a idéia de que somos imortais.
     Nasce então um conflito no Homem. A idéia de que somos imortais para aliviar a ansiedade perante a finitude humana e, ao mesmo tempo, a única certeza da vida que é a própria morte. Do resultado desse conflito surge a necessidade de buscarmos maneiras de enfrentá-la para aliviar a angústia e o medo.
     Essa angústia é básica a todo ser humano e, como conseqüência, as culturas em todas as épocas enfocam este tema de diversas maneiras tais como os mitos, a literatura, a arte, a filosofia, as religiões e a ciência.
     Para Oliveira (2001), o medo da morte e a angústia mobilizaram o homem à reflexão. Daí surgem as religiões e filosofias para buscar um sentido para a vida. A religião traz a idéia de que a vida não termina com a morte, sendo esta apenas uma passagem, um estado transitório, enquanto a ciência contribui para o prolongamento da vida, isto é, procura adiar ao máximo nosso fim. (Bromberg, 2000)
     Em verdade, podemos afirmar que definitivamente o ser humano não está preparado para morrer ou perder alguém próximo, seja um filho, o pai, a mãe, irmãos ou o cônjuge.
     “Si vis vitam, para mortem." "Se queres suportar a vida, prepara-te para a morte." (Freud, 1974, pág.339)
     Não seria simples abordar a morte em todas as suas abordagens, seja cultural, histórica, ética, religiosa ou psicológica, mas é importante ressaltar que a interação desses fatores torna ainda mais complexa qualquer tentativa de compreender tal fenômeno.
     Bromberg (2000) ressalta que o mito da imortalidade aparece em diversas culturas, o qual é revelado pelas cerimônias de luto e rituais fúnebres. Mesmo a ciência traz a imortalidade de forma simbólica através da perpetuação da descendência. Independentemente da forma com que a morte é abordada, a perda de uma pessoa amada é uma das experiências mais dolorosas que o ser humano pode sofrer (Bolby, 2004). Para o autor, apenas a volta da pessoa perdida pode proporcionar o verdadeiro conforto.
     O homem é o único animal que sabe que vai morrer, o que causa o medo antecipatório, isto é, a ansiedade (Bellato, 2005). Para aliviar essa angústia tenta enfrentar este medo das mais diversas formas, seja realidade ou fantasia. Mas não há nada mais importante do que enfrentar a morte, principalmente a morte de quem nos é querido, isto é, passar pelo processo de luto, assunto que abordarei num próximo artigo.
     Fiquem com Deus.

Renato Liberman
 
 
 
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